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Photo by Tim Goedhart on Unsplash

O querer ser perfeito o tempo todo: os perigos da nossa mente

Hoje vamos conversar sobre algo que me persegue: a perfeição. Sim, a busca pela perfeição me leva ao bloqueio, me faz duvidar, me faz querer deixar tudo para lá, deixar a bola cair. Mas, devemos observar que o cara que senta do seu lado no ônibus é imperfeito. O motorista do uber é imperfeito. Seus colegas de trabalho e amigos da faculdade também são. Estamos todos no mesmo barco, tentando descobrir como continuar remando depois do mar jogar dois metros de água salgada na nossa cara. Nem sempre é fácil, nem sempre é bonito.

Teoricamente, sabemos que precisamos viver com as nossas imperfeições. Teoricamente, sabemos que ninguém consegue ser perfeito. Mas será que sabemos mesmo?

Nos jornais, revistas, livros e palestras todo mundo repete essa reza. Mas quantas pessoas podem dizer que vivem essa convicção? Do jeito que eu vejo, a pressão para sermos perfeitos ainda mora nas nossas cabeças. Ou será que sou só eu?

Você precisa ganhar o melhor salário da empresa, fazer o melhor trabalho de faculdade, criar o instagram perfeito, escrever a melhor dissertação do mundo, ser a mãe mais impecável que já andou pela face da Terra, atender às demandas de todos, nunca desagradar ninguém, ganhar a medalha de ser humano exemplar e ainda conseguir fazer exercícios físicos, se alimentar bem e contribuir para a sua comunidade.

Os padrões parecem ser cada vez mais altos e complexos. E não se engane: o perfeccionismo é superinteligente. Ele é dissimulado e se faz de desentendido. Some por um tempo, finge que foi tirar férias, e de repente dá um susto. Nem sempre a gente admite isso em voz alta, mas vira e mexe ele se faz presente. Será que existe solução para isso?

É possível se aceitar de uma vez por todas, sem expectativas bizarras e impossíveis? Dá para nos desafiarmos de forma saudável sem ficarmos exaustos? Eu não tenho uma reposta mágica, mas quero compartilhar com vocês algumas perspectivas que ajudam a nos livrar da pressão de ser perfeito. Sobre o perigo de querer ser perfeito o tempo todo.

Como já te disseram, viver não é uma coisa fácil. Acho que você já comprovou isso na pele, né?

Se você exigir muito de você mesmo, sempre tendo expectativas e esperanças de ser o super-homem ou a mulher maravilha, provavelmente vai terminar se exaurindo. Vai ficar se arrastando; sempre cansado, sem motivação e procrastinando todos os projetos. Quando a gente se impõe algo que não consegue fazer de verdade, o corpo dá um sinal. Ele retrocede e nos puxa para trás como um burro que empaca no meio do caminho.

Fazer projetos ou tarefas que estão muito longe do nosso propósito de vida e que não tem valor nenhum para o nosso coração cansam mais do que as outras. Ter clareza do que você curte fazer (mesmo que seja “trabalho”) é essencial.

O que te dá ânimo, excitação e esperança? O que você genuinamente se diverte fazendo? Dentro do seu trabalho, da sua família, da sua roda de amigos: o que te dá gosto fazer? Saiba que coisas caem nessa categoria e faça mais delas! Ó, não me entenda errado: não estou dizendo para você fazer o que quiser o tempo todo. Às vezes a gente precisa, sim, insistir e persistir em alguns projetos ou tarefas “chatos”. Mas existe um limite.

Você não vai poder deixar de trabalhar ou de pagar as contas, mas com certeza pode deixar para lá algumas tarefas e projetos que te parecem essenciais, mas que, na verdade, não são.

Quando é que o seu corpo simplesmente desarma de tanto cansaço? Quais atividades chatas e vazias você se impôs e taxou de “obrigatórias”? Algumas coisas vão ser “chatas, mas necessárias” e outras serão “totalmente desnecessárias, só estava tentando fazer porque eu quero abraçar o mundo com as pernas e provar para mim mesmo/a que sou f*”

Tenho uma amiga que sempre me diz: feito é melhor que perfeito. Você já ouviu essa frase milhares de vezes, né? Pois bem. Eu estou aqui para dizer que isso é verdade sim. Não é exagero nem frase clichê. Se você (como eu) tem problemas com procrastinação porque, infelizmente, não consegue atingir o nível magnífico de perfeição que a sua mente te impõe, que tal tatuar essa frase na testa?

Acho uma ótima ideia. Pode só escrever isso e colocar bem no meio da sua porta, também. Vá lá, eu te espero aqui. O caso é o seguinte: se você ficar esperando estar apto para produzir o trabalho incrivelmente perfeito que gostaria de fazer, você vai morrer esperando. Ou melhor: vai morrer sem ter feito absolutamente nada. Vai ser mais um número na lista imensa de pessoas que não fizeram o que queriam e que não deixaram legado nenhum para ninguém.

Essa é uma lição de humildade que eu demorei para aprender.

Deixar de agir porque você não quer ser o responsável por uma obra menos do que perfeita é o ápice da vaidade. O nosso medo de ser criticado e de não chegar aos nossos próprios padrões tirânicos de perfeição pode ser avassalador. Pode ser tão avassalador que, por via das dúvidas, a gente não faz nada.

Se esse for o seu caso, a melhor dica que posso te dar é: comece. Sim, comece. De verdade. Mão na massa, mangas arregaçadas. Confie no efeito composto: é melhor fazer algo não-tão-perfeito todos os dias e ir ficando cada vez melhor ao longo do tempo, do que esperar fazer algo totalmente perfeito logo na primeira.

Estou vivendo na pele todas essas dificuldades. É difícil publicar um texto que eu mesma não acho grandes coisas? Sim. Vivo em dúvida de qual é o próximo passo. Deixei já de participar de mil atividades por não me sentir apta para realiza-las, por achar que não possuía o conhecimento necessário ou sempre refazer tudo por achar que posso fazer melhor.

Mas entre trabalhar para o meu sonho de vida e deixar tudo para lá por causa dos meus medos, escolho o primeiro. Vamos lá, não seja tímido: conta pra mim nos comentários qual tem sido a sua maior dificuldade. Você também é perfeccionista demais? Compartilhe a sua história. Quem sabe ela não ajuda alguém?

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