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O que nós podemos fazer para combater o racismo?

Essa pergunta ficou na minha cabeça o tempo todo nesta última semana. Foi quando eu estava na faculdade, cursando Direito na UFSC, que eu adquiri minha consciência de raça e aprendi a reconhecer todos os privilégios da minha vida. Foi também nessa época que conheci o termo “Feminismo(s)” e me reconheci feminista – estudar numa universidade pública mudou drasticamente a minha vida, por isso serei eternamente grata à UFSC.

Falando por mim mesma, é bem difícil e desconfortável reconhecer nossos erros, os momentos em que tivemos comportamentos e falas racistas, machistas, opressoras. Às vezes de forma inconsciente, reproduzindo o que aprendemos dentro de uma cultura predominantemente pautada no estereótipo branco, patriarcal, masculino e heterossexual. Mas penso que esse é o primeiro passo e é fundamental – vamos nos conscientizar. É muito cômodo tentarmos justificar o injustificável, desculpar-se pelo indesculpável. É preciso aceitar, saber ouvir, reconhecer o seu lugar de fala e estar disposto a aprender e a agir diferente. Sair da zona de conforto.

Foi a partir da faculdade que eu aprendi a me posicionar mais, a não tolerar qualquer tipo de preconceito e opressão, mesmo que às vezes eu tivesse que causar incômodo em amizades próximas, dentro da minha própria família.

Terminei de ler o “Pequeno Manual Antirracista”, da Djamila Ribeiro (quem ainda não leu, por favor leia), e fiquei feliz em saber que já sigo muitos dos ensinamentos e sugestões, como apoiar políticas educacionais afirmativas, ler autores negros, questionar a cultura que consumo.

Mesmo assim eu tenho a sensação de que não só posso como devo fazer mais. Muito mais. Eu quero que a minha geração seja diferente, faça diferente. Eu acredito nisso.

Então decidi agir e seguir muitos lindos exemplos que observei nesses últimos dias.

A partir dessa semana, nós teremos aqui na minha coluna convidados(as) negros(as), para escreverem sobre qualquer assunto que desejarem. Terei o privilégio de receber nesse espaço semanal – do qual tenho tanto orgulho – pessoas que fazem parte do meu círculo social e profissional, que já me ensinaram muita coisa, e ainda me ensinam muito. Estou bem feliz de compartilhar esse momento com vocês, leitores, e de apresentá-los semanalmente pessoas que me marcaram e que me inspiram a ser melhor a cada dia.

A primeira delas é a Franciele da Silva. A gente se conheceu na faculdade, vivi de perto toda a evolução, amadurecimento e crescimento dela como mulher, estudante e profissional. Construímos uma linda amizade. Testemunhei ela se apaixonando pela área penal. E o texto dela de hoje está simplesmente incrível!

Desigualdade racial

Em um sentido bastante amplo, racismo é uma postura adotada com a finalidade de menosprezar e segregar a existência de um indivíduo tomando como parâmetro a cor na sua pele. Juridicamente, é preciso ter um pouco mais de cautela quanto a sua utilização, tendo em vista que as condutas criminosas tipificadas como crime no art. 20 da Lei 7.716/1989, por vezes são confundidas com o crime de injúria qualificada, prevista no §3º, do arti. 140, do Código Penal.    

 

No entanto, muito mais do que as condutas criminosas em si, precisamos falar um pouco mais sobre o racismo estrutural, manifestado de forma cada vez mais incisiva. O racismo estrutural é uma forma de preconceito enraizado na sociedade, presente no comentário ou piada racista que ninguém questiona, no olhar de dúvida sobre a capacidade do prestador de serviços preto, no sentimento de que as cotas raciais são privilégio, nas expressões racistas que continuam sendo ditas e, principalmente, na falta de visibilidade e representatividade seja ela artística, profissional ou política.   

 

Gostaria de propor ao leitor a fazer uma breve pausa na sua leitura para, apenas por alguns instantes, tentar recordar quantos representantes políticos pretos elegemos nas últimas eleições, quantas pessoas pretas trabalham com você, quantos deles estão no seu círculo de amizades ou frequentam os mesmos espaços de lazer que você, com quantos médicos, advogados, promotores de justiça ou magistrados pretos você já teve contato?

 

Se a conta ficou difícil ou se o pensamento é de que a cor da pele simplesmente não faz diferença alguma, leve em consideração que os autodeclarados pretos/pardos representam mais de 50% da população brasileira. Nesse cenário, se houver dificuldade ou não for possível  responder nenhum dos questionamentos indicando pessoas pretas, talvez seja o momento de refletir um pouco mais sobre a desigualdade racial. 

Até porque, a desigualdade racial está sobretudo nos pretos que você não vê. 

 

*Nota sobre posicionamentos: Atualmente se posicionar em qualquer sentido se tornou definitivamente um ato de coragem. Diante de todo cenário, toda vez que um amigo se posiciona como antirracista, é como se a gente se sentisse abraçado, é uma certeza que essa luta não é só nossa e, mais ainda, de que não precisamos continuar enfrentando essa batalha sozinhos.

 

Franciele da Silva

Graduada em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Assistente de Promotoria de Justiça – Ministério Público de Santa Catarina.

@francieledsl

DICA DA SEMANA

Infiltrado na Klan

Filme - Telecine

Finalmente consegui assistir o aclamado filme, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, Infiltrado na Klan. Narrativa poderosa, com o equilíbrio peculiar entre roteiro, humor e drama característico do diretor Spike Lee. Bem pertinente, em tempos que “manifestantes” brasileiros fizeram a repugnante alusão à organização racista e supremacista branca dos EUA, Ku Klux Klan. É preciso conhecer a história para não repetir os erros do passado.

Trailer aqui.

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