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O que aprendi sobre amor, gênero e sexualidade assistindo Ru Paul’s Drag Race

Há tempos sinto vontade de escrever sobre este reality show americano que conquistou meu coração há muitos anos. Sou particularmente fã de séries que, além de entreter, também transmitem muitas mensagens importantes e ajudam a disseminar conhecimento.

E Ru Paul’s Drag Race (RPDR) reflete bem essa junção. Desde 2009 no ar, todo ano há uma nova temporada, com novos participantes competindo pelo título de nova Drag Super Star dos EUA.
A competição foi idealizada por Ru Paul Andre Charles, ator, modelo, cantor e drag queen mais famosa do mundo. Ru faz sucesso desde a década de 90, quando passou a ocupar mais espaços em programas de tv e filmes, e estourou com uma série de músicas, sempre divulgando a arte drag.

Para quem não sabe, drag queen é um tipo de arte performado por uma pessoa, em geral homem, que se veste e se maquia para imitar e por vezes exagerar estereótipos relacionados ao gênero feminino. O propósito da arte drag é entreter, portanto existem vários shows no mundo todo performados por drag queens, que dançam, cantam, fazem stand up, lip sync, e imitam personalidades famosas, tudo com uma boa dose de humor.

No reality, Ru Paul seleciona entre 10-15 drag queens para competir em todos os desafios possíveis e imagináveis para descobrir qual delas possui mais carisma, singularidade, coragem e talento (charisma, uniqueness, nerve & talent).

Foi através da série que eu passei a compreender melhor a fluidez dos temas envolvendo gênero e sexualidade e as maravilhas do mundo queer. Quanto mais naturalmente forem abordados esses conceitos, e quanto mais exemplos de pessoas de verdade você tiver para relacioná-los, menos confusão se faz e mais nitidamente você entenderá sobre o assunto.

Além de explorar o lado competitivo, a criatividade e os talentos das queens, a série faz questão de mostrar relatos das suas vidas pessoais, o que nos mostra um pouco do que uma pessoa que faz parte do mundo LGBTQIAP+ passa.

A série já contou com participantes que ao longo da competição se apresentaram como homens e após se assumiram como mulheres trans, como o caso das queens Carmen Carrera e Gia Gunn, e até mesmo com participantes que desde o início se identificavam como mulheres trans, como a ativista Peppermint. Sempre houve uma grande representatividade de pessoas negras, latinas e com todos os tipos e tamanhos de corpos. Mais recentemente, nas últimas temporadas, houve também a participação de queens imigrantes, de outras religiões, que se identificam com um gênero fluido, portanto há uma interseccionalidade muito grande entre temas relacionados a minorias que sofrem todo tipo de preconceito.

Além de torcer pelas minhas queens favoritas, eu me envolvo muito emocionalmente com as suas histórias de vida. Infelizmente, são inúmeros casos de participantes que não recebem apoio da família, que não são aceitos por serem gays e/ou drag queens; que cresceram sofrendo bullying, agressões físicas, psicológicas a até mesmo sexuais por serem diferentes. Há também aqueles que são 100% apoiados e amados pela família por serem exatamente o que são, e é notável o impacto que isso provoca na sua vida, autoimagem e autoconfiança.

RPDR proporciona muito riso e muito choro. Mas também nos ensina a importância do amor. Do autoamor. Da aceitação, da crença em si mesmo, da habilidade de rir de si mesmo. De fazer o que ama, de ser feliz e se divertir sendo exatamente quem se é. Da importância de um sistema de apoio e de suporte. De aceitar críticas construtivas e desenvolver novas habilidades. Uma das principais frases de efeito da Ru é “if you can’t love yourself, how the hell are you going to love somebody else? – se você não consegue se amar primeiro, como você conseguirá amar outra pessoa?” Que lindo seria se todo mundo exercitasse esses aprendizados, né?

Escrevo hoje sobre isso para estimular as pessoas a se abrirem a discutir esses assuntos. Ninguém é obrigado a saber tudo, e somos todos passíveis de errar em terminologias, pronomes de tratamento e categorias. Mas é urgente estarmos dispostos a entender e apoiar essas questões, para que mais pessoas tenham a liberdade de se aceitar e de se apresentar ao mundo pelo que são, sem tanta dor, sofrimento e preconceito.

Para mim, personificar, dar nomes a pessoas que possuem histórias e contextos de vida tão diferentes dos meus me auxiliou muito a entender mais sobre o tema. Vivemos hoje numa era em que finalmente há espaço para se falar, estudar e promover conhecimento sobre questões de gênero e sexualidade. Porém ainda há muito preconceito e desinformação. E isso se combate principalmente com educação e conhecimento. E nós, como sociedade, eu, como mulher cis heterossexual, temos o dever de nos informar, de corrigir erros, de apoiar essa causa, de não nos silenciarmos em situações de preconceito, fazendo assim a nossa parte para vivermos num mundo cada vez mais igualitário, justo e tolerante.

Sonho com o dia em que todos, todas, todxs poderão abraçar a beleza de serem livres, sem se prender a conceitos, estereótipos, padrões de beleza, sem precisar da aceitação da sociedade para viver em segurança. E acredito que Ru Paul’s Drag Race nos dá uma pequena palhinha do quão lindo, cheio de glitter e amor seria a realização desse sonho.

Photographed by Annie Leibovitz, Vogue, May 2019
DICA DA SEMANA

Ru Paul’s Drag Race

Série (Netflix)

Por óbvio essa é a minha dica da semana. As 12 temporadas estão disponíveis no Netflix. Assim como vários spin offs – All Stars, Untucked e muitos filmes estrelados tanto pela Ru quanto pelas drag queens participantes. Para se divertir, ver em família, se apaixonar, chorar e se impactar como uma boa maquiagem, espumas nos lugares certos e roupas específicas conseguem transformar qualquer pessoa – literalmente – numa queen deslumbrante

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