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Photo by Karim MANJRA on Unsplash

A efemeridade da vida

Você já parou para agradecer por estar vivo hoje? Por ter saúde? Pelas pessoas que você ama estarem vivas?

Quando menos esperamos, a efemeridade da vida é escancarada a nossa frente. Para nos lembrar que não possuímos controle sobre todas as coisas. Nunca sabemos o dia de amanhã e nem quando uma doença avassaladora tirará vidas próximas a gente. Não temos controle sobre o tempo e nem nos damos conta o quão rápido ele passa. E quando menos a gente espera, aquela conversa pode ter sido a última. Aquele beijo. Aquele abraço. Aquele olhar. O não dito que ficou para depois, e o depois nunca mais chegou.

Vários dias e noites eu me pego pensando em quantas pessoas eu conheço que têm vivenciado essa dor e essa ausência. E penso também na quantidade avassaladora de pessoas que eu sequer conheço mas que também estão sofrendo.

Ultrapassamos o absurdo número de mais de 102 mil vidas perdidas para um vírus. Familiares, amigos, colegas de trabalho que entraram para a estatística enquanto fomos conduzidos a relativizar essas mortes, retomar uma vida “normal”, satisfazer os nossos próprios desejos e anseios.

Nas redes sociais eu vejo pessoas próximas a mim cujas vidas praticamente não mudaram em nada. Vejo “famosos” já viajando para a Europa e frequentando praias e casas noturnas lotadas.
É claro que todos sentimos falta das coisas mais triviais num mundo sem pandemia, que estamos de saco cheio das restrições, e não há nada de errado nisso.

Mas fingir que nada está acontecendo? Que não estamos sendo afetados nem um pouco por essa tragédia? Onde erramos que nos falta tanta empatia e compaixão?

Eu sinto os reflexos do que estamos vivendo no meu corpo e no meu emocional. Acho que nunca tive tantas perguntas sem respostas, nunca olhei tanto para dentro de mim.

É tempo de encararmos o lado mais sombrio da nossa humanidade, acolher nossas dores e defeitos, e também valorizar cada pedacinho e detalhe positivo. Precisamos nos acolher. Precisamos acolher o próximo. Precisamos falar mais sobre tantas vidas perdidas, entender o impacto profundo disso e não falar apenas do “novo normal” ou do que sentimos falta de um mundo sem covid.

Temos sim que olhar para frente, ter esperanças de um futuro melhor, mas reconhecendo o que estamos vivendo até aqui. Onde erramos como pessoas e onde erramos como nação. Não existe um único culpado para os mais de 100 mil mortos.

Intercalo a escrita desse texto com as minhas lágrimas. Estou cansada, estou esgotada, estou no meio de uma crise de insônia, comecei o dia com a notícia da perda de um pai muito amado de uma amiga próxima para o vírus. Às vezes me questiono se devo me importar tanto assim ou se devo tentar ser mais como tanta gente.

Mas mesmo doendo tanto, acho que o caminho é o do amor, da caridade, do perdão.

Minha coluna é cada vez mais meu diário virtual. Abri mais uma vez meu coração e peço que vocês também o façam. Olhem para dentro de si. Prestem atenção aos seus corpos, aos seus sentimentos. Não deixem nada para depois. Digam tudo o que precisa ser dito antes que seja tarde demais. Cuidem-se. E se possível, fiquem em casa.

*Dedico a coluna de hoje a todas as pessoas que perderam um ente querido para o novo coronavírus. Em especial para a minha amiga Damaris Mendonça.

DICA DA SEMANA

Efêmera - Tulipa Ruiz

A letra dessa música diz tudo o que estou sentindo agora. Eu e minha mãe “ganhamos” essa música de presente há muitos anos do meu pai. Ele é esse tipo de pessoa – não é muito chegado em dar presentes físicos, mas ouve uma música no rádio e liga na mesma hora para dizer que quer nos dar de presente essa música porque o fez pensar na família que tanto ama. 

Congele o tempo pr’eu ficar devagarinho
Com as coisas que eu gosto
E que eu sei que são efêmeras
E que passam perecíveis
Que acabam, se despedem,
Mas eu nunca me esqueço.”

Obrigada vida. Te amo, pai, Te amo, mãe. Vocês são tudo para mim. 

 
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