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Mediação comunitária reduz a dependência do poder político

A mediação comunitária vai muito além de uma mediação de conflitos entre vizinhos. Segundo destaca o mediador Juan Carlos Vezzulla, ela tem por objetivo que as pessoas de uma determinada comunidade sejam escutadas, respeitadas e reconhecidas na sua capacidade de falar sobre os seus problemas e procurar-lhes solução. Em outras palavras, ela resgata os conceitos de participação responsável da comunidade na abordagem e na resolução dos conflitos entre os seus membros, recuperando a sua identidade e, com isso, reforçando a sua capacidade de protagonismo.

Permite que se recupere a confiança do grupo em si mesmo e oportuniza o enfrentamento das próprias situações pela autogestão, de forma que as pessoas assumam o controle de seus destinos e desenvolvam a noção de responsabilidade, cooperação e solidariedade que os fortaleça e lhes permita reduzir a dependência do poder político. Nesse sentido, a comunidade deve ser encorajada a expressar a sua visão dos problemas e as possíveis soluções.

A escolha do mediador nesta espécie de mediação não é pacífica na doutrina. Muitos reivindicam que devem ser escolhidos profissionais que se destaquem por um “saber” a respeito da mediação (que deveria contar com profissionais como advogados, psicólogos e assistentes sociais); outros, porém, acreditam que os melhores mediadores seriam os próprios membros da comunidade, apostando-se na ideia de paridade.

Vezzulla aponta que mais importante do que propriamente o “saber” é a escuta e o acolhimento dos participantes como seres únicos e exclusivos dos quais nada sabemos. A mediação entre pares (aplicada exitosamente em escolas, prisões e comunidades), tem a vantagem da proximidade, por idades e situações comuns – seja na exclusão (prisões ou certas comunidades) seja na condição comum (estudantes, vizinhos). A escolha dos agentes comunitários por meio de concursos, por exemplo, poderia envolver um desejo de poder e de liderança que poderia acabar com o conceito de paridade, segundo o autor.

Outro ponto que merece destaque para Vezzulla é que os membros do grupo são afetados quando os conflitos não se resolvem ou se resolvem de forma insatisfatória. E é precisamente a falta de satisfação dessas necessidades, desses direitos, um dos fatores fundamentais da geração da violência como expressão da insatisfação de uma comunidade.

Diante da proposta de Vezzulla, a mediação comunitária seria uma aposta no diálogo e no humano, para o desenvolvimento da noção de responsabilidade, cooperação e solidariedade entre os membros de um grupo. Um caminho para a diminuição da dependência do poder político, na busca de uma verdadeira transformação social.

Até a próxima quarta! 😊
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REFERÊNCIA

VEZZULLA. Juan Carlos. A mediação Comunitária. Questionamentos por uma Mediação para a Comunidade Participativa. Disponível em: http://institutoelo.org.br/…/b3be7bc8eaf5d209bc01d3f4ea3f8b…. Acesso em 12 jun. 2016.

Entrevista com Juan Carlos Vezzulla

Hoje, inauguramos por aqui uma Coluna de entrevistas denominada “Escuta Ativa”! Gostaria de agradecer à emais editora pela oportunidade. Todo mês teremos entrevistas com os profissionais mais destacados sobre os meios consensuais. Começaremos pelo grande mediador, formador de mediadores e psicólogo, Juan Carlos Vezzulla. Sempre falo que dois Argentinos moram no meu coração:  Vezzulla é um deles. O outro, vocês já sabem! Aliás, as ideias desses grandes mestres dançam poeticamente como um tango! Aproveitem a entrevista! 

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1) Qual a principal competência/habilidade que deve ter um mediador? 

É uma competência/habilidade muito complexa, e que exige explicação: saber escutar. Mas um saber escutar o que se diz perguntando pelo que se quer dizer com isso, para conhecer os/as participantes e assim poder compreendê-las/los para que eles e elas se compreendam. Isso requer a humildade de nos isentarmos para que eles/elas assumam o protagonismo, se apropriando de suas vidas e de seus relacionamentos. 

2) O que mudou na mediação nos últimos anos?

Muito. Ainda subsistiam conceitos obsoletos em muita parte dos estratos judiciais e jurídicos; hoje entendemos que a mediação não é o procedimento negocial que se utilizava para resolver problemas. Hoje consideramos a mediação como uma teoria social dos relacionamentos que propõe a participação ativa de todas e todos sem exclusões numa prática da democracia participativa que modifica a cultura penalista de organização social por uma cultura cooperativa e restaurativa. Essa teoria pode ser implementada no procedimento para trabalhar com pessoas que estão a passar por um momento difícil no seu relacionamento para que se apropriem de si mesmos, do relacionamento e do outro/a de maneira emancipada e responsável para projetar e implementar seu futuro satisfatoriamente.   

3) Qual sua contribuição (como pessoa e profissional) para a mudança de cultura no Brasil?

Considero que desde a divulgação da proposta social da mediação com publicações e vídeos para promover o exercício da emancipação participativa e responsável sem discriminações nem exclusões, estamos a produzir um questionamento da situação atual de dependência e exclusão. Também capacitando e formando mediadores e mediadoras para a comunidade participativa e para a emancipação responsável no exercício da programação e a implementação do projeto de futuro satisfatório e cooperativo pelo diálogo. 

4) Deixe uma mensagem aos leitores da coluna.

Às mediadoras e aos mediadores lhes diria que devemos compreender que não devemos nos restringir ao exercício do procedimento da mediação. Devemos viver a mediação, saindo à rua, escutando as pessoas e acolhendo os excluídos e as excluídas para que se expressem, se sintam parte ativa da comunidade e corresponsáveis do que somos e vivemos como sociedade.

Se não conseguimos que (nessa cultura penalista, impositiva e de exclusão que vivemos no cotidiano que nos submete) se possa desenvolver a cultura restaurativa, cooperativa, de inclusão participativa e responsável que propõe a mediação, estaremos sempre reduzidos a “fazer de conta”, como dizia Warat, que somos profissionais do exercício da emancipação pela autocomposição. 

 

 

DICA DA SEMANA

Fiz uma busca sobre o mestre Vezzulla na internet e encontrei uma entrevista realizada pelo meu amigo Asdrubal Júnior. Compartilho com vocês! Aperta o play e desfruta mais um pouquinho da companhia do grande formador de mediadores, Juan Carlos Vezzulla. 

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