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Kairós, o tempo da mediação

Mediar afetos é inscrever o novo na temporalidade, já dizia Luis Alberto Warat. Para o autor de “O ofício do Mediador”, Kairós seria o tempo da mediação, um tempo qualitativo, um tempo da experiência do momento oportuno em que algo especial acontece.

As diferenças de temporalidade são grandes se compararmos mediação e processo judicial. O tempo do processo pode ser representado por Chronos, um tempo de natureza quantitativa, cronológico. Trata-se de um tempo marcado por formalidades, verdades e preclusões.

Um erro cometido no processo judicial pode ser fatal e ameaça o bem estar das partes. Não há como corrigir um ato, salvo raríssimas exceções. A não apresentação de um determinado documento não altera o direito material da parte, mas ela pode ter extinta a ação. Muitas vezes tal documento lhe foi sonegado durante anos.

Já a Mediação trabalha sob a perspectiva do tempo de Kairós, do momento oportuno, no qual sempre é possível introduzir um dado faltante pois esquecimentos não são fatais. O tempo da mediação é um tempo cortês, que promove o bem-estar das partes envolvidas no conflito. No tempo da mediação há espaço e abertura para se tornar protagonista. Na mediação, portanto, o momento oportuno é o instante em que as partes se desarmam e se preparam para o reencontro, como ensina Warat.

Sabe aquele primeiro encontro de amor, em que você prepara um jantar, coloca uma música agradável, um perfume, abre um vinho e acende velas? Esta é a parte do encontro que você pode controlar: você pode se preparar para o encontro; mas não preparar o encontro em si. A dinâmica do encontro, os olhares e sentimentos envolvidos serão inesperados. Assim é também Kairós, o tempo oportuno, o tempo da mediação.

Até quarta que vem!

Referências:
WARAT, Luis Alberto. Surfando na pororoca: o ofício do mediador. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2004.

Mário Quintana, meu poeta preferido

Mário Quintana é o meu poeta favorito. Ele tem um poema sobre o tempo, que serviu de inspiração para escrever a coluna desta semana. 

O TEMPO (Mario Quintana) 

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das
horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


Lindo, não é? 


Agora, aproveite e desfrute da versão recitada do poema na interpretação de Antônio Abujamra aqui. Vale muito! 

 


O poema foi originalmente publicado em:
QUINTANA, Mário. Esconderijos do Tempo. Porto Alegre: L&PM, 1980.

 
DICA DA SEMANA

Oração ao tempo - Caetano Veloso

Sempre é tempo de ouvir uma boa música. Recomendo “Oração ao tempo” de Caetano Veloso.

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