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Existe um modelo fundamental de mediação?

Ao longo da história da mediação foram se desenvolvendo concepções teóricas diferentes, com autores próprios e características diversas. Cada qual conta com um referencial teórico distinto, que impactará na forma de atuação do mediador.

Três dúvidas são bastante comuns a respeito do tema. A primeira diz respeito a quem possa escolher o modelo de mediação: se o mediador ou se as partes. A segunda, se seria possível mesclar os modelos, por exemplo, usando em determinada mediação técnicas de Harvard e técnicas da Escola Transformativa. E, a terceira, se existiria um modelo fundamental de mediação ou se na verdade existiria um “não-modelo”.

Silvana Yara de Castro Rodrigues parece se posicionar no sentido de que o mediador pode fazer a escolha do modelo a ser utilizado e que é possível mesclá-lo com outros quando diz que “não elimina a tendência de o mediador mesclar essas escolas de forma que, de acordo com o caso concreto, possa aplicá-las isoladamente ou utilizando-se de técnicas e instrumentos possíveis de forma complementar à outra”. Marian Roberts, por sua vez, fala em seu livro sobre a possibilidade de abordagem “sem modelo”. Nessa abordagem, o mediador construiria um modelo único de prática para cada ocasião levando em conta fatores como poder e cultura.

Das considerações lançadas, apesar de existirem diferentes escolas de mediação, extrai-se que não existe um modelo fundamental, pois cada mediador terá uma abordagem única. Nessa esteira, portanto, cada mediador possuirá um estilo único porque cada encontro é individual, e a abordagem da mediação deve atender às necessidades das partes ou dos grupos envolvidos no conflito.

Para que a mediação seja uma abordagem democrática, seria apropriado que as próprias partes optassem pela abordagem que mais se adéqua às suas necessidades, de acordo com a finalidade que desejam para a mediação. Por exemplo, se a finalidade é obter um acordo, poderiam as partes, entre os modelos oferecidos, optar pela Escola de Harvard. Por outro lado, se a finalidade fosse a transformação da relação (empoderamento, reconhecimento), poderia ser a
Escola Transformativa a escolhida. Concordo com a opinião de que cada caso será único (terá abordagem única), ainda que se opte por ter como guia
determinada escola.

Lembro que quatro escolas se destacam no cenário doutrinário: a) Tradicional-Linear de Harvard; b) Transformativa de Bush e Folger; c) Circular-Narrativa de Sara Cobb; e d) Terapia do Amor Mediado, de Luis Alberto Warat. Qual delas é a sua preferida?

Até quarta que vem!

REFERÊNCIAS

ROBERTS, Marian. Developing the craft of mediation: reflection on theory and practice. London: Jessica Kingsley, 2007.

RODRIGUES, Silvana Yara de Castro. A mediação judicial no Brasil: avanços e desafios a partir do novo Código de Processo Civil e da Lei de Mediação. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2017.

Fiquem agora com o texto do meu ex-aluno e amigo, Ivair Fernandes Rastirolla, Analista Administrativo do TJ/SC e acadêmico de Direito da Unisul, com interessantes apontamentos a respeito da mediação.

Mediar é aprender a amar

Era o primeiro semestre de 2018, 3ª fase do curso de Direito, quando tive um contato mais aprofundado com os meios não adversariais de solução de conflitos. Das indicações de bibliografia da professora Sâmia, fui quase imediatamente buscar “Em nome do acordo”, de Luís Alberto Warat, e junto trouxe “Mediação de Conflitos – Teoria e Prática”, da Juliana Goulart e da Jéssica Gonçalves. 

Foi encanto imediato, especialmente ao aprender que o modelo de mediação proposto por Warat recebe a denominação de “Terapia do Amor Mediado”. 

A compreensão da mediação como uma terapia amorosa tem uma profundidade encantadora: vai muito além da ideia de que o processo visa tão somente chegar a um acordo e tudo estará resolvido. Mediar passa por se abrir ao outro, aceitar que as diferenças existem, são naturais e que podemos aprender e evoluir com elas. Envolve aprender a comunicar-se de forma não violenta e a desenvolver a empatia, percebendo que a existência de conflitos é algo natural na sociedade, mas que conflito não é sinônimo de confronto e que, justamente por esse motivo, não deve ser encarado como um elemento de ruptura e sim como uma possibilidade de construção/reconstrução de relações, de fortalecimento de laços e de desenvolvimento do espírito de solidariedade. 

Em suma, encantado com a autodenominação waratiana de “Terapia do Amor Mediado”, compreendi que mediar é muito mais que auxiliar a solucionar conflitos: mediar é abrir-se à possibilidade de aprender a amar. 

DICA DA SEMANA

Manual de Mediação e Conciliação da Justiça Federal

Livro

A dica de hoje é o Manual de Mediação e Conciliação da Justiça Federal (2019) elaborada pelos autores Bruno Takahashi, Daldice Maria Santana de Almeida, Daniela Monteiro Gabbay e Maria Cecília de Araujo Asperti. Trata-se de um excelente material para consulta. Para baixar gratuitamente e fazer a leitura, clique aqui. 

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