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Discordar irrita! Como expressar divergências sem fazer inimigos

Ao interagirmos com pessoas é comum que encontremos pontos de divergência. Faz parte da convivência democrática de respeito às diferenças. Na internet a discordância ganha contornos dramáticos. Ao divergir, ainda que dentro das regras básicas de civilidade, podemos atrair haters, pessoas que postam comentários raivosos sem critérios ou até mesmo sermos “cancelados”, um comportamento de usuários das redes sociais que abandonam alguém como forma de punição, o famoso unfollow.

Diante de tamanha intolerância, como seria adequado expressar nossas opiniões e discordâncias sem fazer inimigos? Será que existe uma forma de discordar sem irritar tanto as pessoas?

Segundo Dale Carnegie, sim. Em seu clássico livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, o autor faz constatações úteis. Ele percebeu que “muitos começam suas críticas com um elogio sincero seguido da palavra “mas” e terminando sua afirmação crítica” [1] . Para ele, essa forma de criticar ou discordar faz o elogio parecer falso e pode fazer com que a confiança do interlocutor fique distorcida. Sugere que se chame a atenção indiretamente, respeitosamente, sem gerar ressentimentos[2] . Outra sugestão útil é não começar a frase dizendo: “discordo totalmente”; “nada a ver”; “na verdade, o ponto não é esse”, pois os interlocutores podem adotar posturas de ataque ou de defesa.

Experimentei a técnica quando participei de um curso do Dale Carnegie Training, aqui em Florianópolis. Achei interessante e percebi que aquilo nunca tinha sido ensinado na Faculdade de Direito. Penso que é mais uma importante competência (soft skill) que nos foi negligenciada na educação jurídica, afinal, temos que frequentemente discordar de teses e apresentar nossos argumentos contrariando interesses de pessoas poderosas.

Dale Carnegie sugere que as nossas críticas sejam feitas, sim, mas com o apoio de “amortecedores ”[3], como por exemplo: “1. Com seu ponto de vista você me faz refletir…”; 2. “Poderia me explicar como você chegou a esta conclusão”? Ao receber uma crítica, você também pode amortecê-la, utilizando os seguintes exemplos: “1. Deixa-me ver se eu entendi…”; “2. Obrigada por expressar sua opinião”.

O exercício “discordar amigavelmente” aplicado no curso, me fez querer estender sua aplicação, levar esse conhecimento adiante, inclusive para o âmbito jurídico. Em meus cursos utilizo a técnica de forma adaptada, com aportes da comunicação não violenta e das ferramentas de mediação, que tenho chamado de “discordância compassiva”. Trata-se de uma “prática compassiva”, ou seja, uma conduta ética especialmente útil para os profissionais do Direito (advogados, juízes, promotores, defensores, procuradores).

Quando vamos discordar ou criticar, ou quando discordam de nós ou nos criticam, precisamos de um tempo para organizar os nossos pensamentos. Muitas vezes o sangue sobe, não é mesmo? Que tal da próxima vez que for discordar de alguém usar as dicas aqui mencionadas?

Depois me contem se foi fácil ou difícil. Quem sabe seus argumentos científicos, racionais, baseados em evidência, sejam mais bem recebidos pelo outro lado. Boa sorte!

Por fim, chamei a Lyza Anzanello para falar dos seus estudos sobre Direito e Economia. Ela explica como as discordâncias de todo tipo acabam chegando no Judiciário, gerando milhares de demandas.

Boa leitura e até quarta que vem!
______
[1] CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar pessoas. Companhia Editora Nacional. 2016, p. 230.

[2] CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar pessoas. Companhia Editora Nacional. 2016, p. 231.

[3] Manual do Curso Dale Carnegie Training (2016).

O custo dos litígios e a importância de abrir horizontes

Durante os últimos meses, pautados no distanciamento social e na imersão obrigatória a um mundo completamente virtual, muito se falou sobre o aumento da procura aos meios alternativos de resolução dos conflitos (mediação, arbitragem, dispute boards) e em uma nova advocacia baseada no diálogo, bem como na elevada produtividade alcançada pelo judiciário com o home-office.

Contudo, há um silêncio considerável nas mídias digitais sobre um dado esperado, porém não menos alarmante: o crescimento exponencial das demandas judiciais. Cita-se aqui, como meio ilustrativo, os dados preliminares do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, o qual nos sete primeiros meses do ano de 2020 já superou a distribuição total de processos do ano de 2018 e apresentou um crescimento de 33% se comparado ao ano de 2019.

Isso demonstra que ainda há uma dependência elevada da sociedade, mesmo que de forma inconsciente, ao poder do Estado como solucionador mais seguro e financeiramente viável para a resolução de seus problemas. Ocorre que este meio aparentemente mais conveniente acaba sendo extremamente caro tanto para os litigantes, em questão de tempo e resultados, como para a sociedade, que financia parcela considerável do custo dos litígios.

Neste contexto, evidente que cabe a todos os juristas abrir seus horizontes para além do comodismo habitual empregado na resolução dos conflitos, buscando não apenas outras formas de diálogos, mas também o apoio de vertentes ainda pouco exploradas como a Análise Econômica do Direito, que, através do uso do instrumental analítico da Economia é capaz de indicar soluções com tendências probabilísticas passíveis de dissipar os conflitos ao mesmo tempo em que consegue satisfazer as necessidades das partes.

 
DICA DA SEMANA

Direito, Justiça e Economia: a influência dos parâmetros econômicos na esfera legal

Livro

O livro Direito, Justiça e Economia: a influência dos parâmetros econômicos na esfera legal, organizado pela Lyza Anzanello de Azevedo e outros pesquisadores, traz grandes contribuições para debater a temática da Análise Econômica do Direito. Para comprar o livro, clique aqui

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