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O que venho aprendendo na quarentena

Me propus escrever diferente esta semana. Largar de mão a densidade de temas que ecoam para além de minha janela e refletir um pouco mais ao que acontece para dentro dela. Peço licença. Me permita, numa dose saudável de egoísmo, falar sobre alguns processos pessoais. Falar sobre o que venho aprendendo na quarentena, principalmente sobre mim.

A primeira percepção que tive de imediato foi a de que no isolamento aprendi a conviver comigo mesma. Não é fácil, importante que se diga. A gente se enjoa da gente, sabe? Foi na insistência que mantive esse diálogo. Delimitei melhor meus gostos, limites, problemas e particularidades.
Lidando, na mesma balança, com o agrado e o amargor de ter mais silêncio e mais espaço para me ouvir melhor.

Foi na toada desse processo de autoconhecimento que entendi, para muito mais do que imaginava, a importância da sociabilidade. Sempre valorizei muito meus espaços de privação, mas nunca estive só. Desde sempre, sou muito social e sociável. E não sou muito boa em manter longos contatos virtualmente. Logo, me conservo hoje banhada na saudade do que já vivi. Reaprendi então a perceber que minha família, a qual estou isolada junto, também é fundamentalmente composta por meus amigos. Às vezes sou ouvinte, às vezes interlocutora.

Ainda no meu ser social, amadureci a relação com meu companheiro. Se o distanciamento absoluto tem os seus desafios, a convivência 24 horas também possui. O amadurecimento é o único caminho possível. Apenas com muito diálogo e compreensão a relação é alimentada beneficamente num momento como esse.

Aprendi a lidar também com o ontem que se repete hoje, ou seja, com dias que são iguais. Sendo generosa, dias que são muito parecidos. Um atrás do outro. Às vezes parece que presa num O Show de Truman. Para isso, entendi que é preciso dar pequenos traços de inovação para rotina ao mesmo tempo que simplesmente aceitar e apreciar a estabilidade dela.

Curioso também é que venho consumindo notícias abundantemente. Diferente do que muitas pessoas alegam, estar atenta aos noticiários não me desgasta, por mais pessimistas que sejam. Talvez até subconscientemente venho substituindo o isolamento por essa aproximação com o mundo exterior através dos jornais.

Venho aprimorando ainda a minha humilde capacidade de avaliar filmes, séries e livros. Os consumo em larga fartura. Assim, venho estado cada vez mais crítica e valorizando mais a produção de uma boa arte, seja qual for.

Por último, aprendi a estimar o cuidado da casa, como uma medida de autocuidado mesmo. Aliás, o autocuidado me vem sendo uma máxima.
Se posso diagnosticar um dos motivos pelos quais consigo me manter em certa plenitude em meio ao caos é preservar em minha vivência tantos privilégios. (Re)leia este texto, portanto, advertido(a). A segurança que possuo em fazer certas reflexões são frutos disso. Ainda que sejam, não posso deixar de fazê-las. O momento é único e crucial. Continuaremos. Continuarei. E possivelmente com um texto menos pessoal da próxima vez.

Espaço Refúgio 343: Nohelys

Nohelys tem 43 anos. Paramédica hospitalar por formação. Enquanto na Venezuela, vivia com a mãe, os irmãos e os dois filhos. Diversos foram os fatores que a levaram a uma insustentável situação. O salário que um dia foi suficiente já não alcançava mais o necessário para a compra de uma cesta básica sequer. Os itens pessoais tampouco. 

O Brasil acabou sendo então o país que decide tentar uma nova vida. Junto a ela, os filhos: Antonio com 13 anos e Valentina com apenas 2. “Lá a situação tava muito difícil. Já não dava pra viver na Venezuela. Não conseguia comer ou vestir meus filhos. A situação tava crítica”, dizia ela. 

Ao chegar em Pacaraima-RR, cidade fronteiriça do lado brasileiro da borda, enfim, uma otimista novidade: a sua documentação e das crianças foram devidamente regularizadas! A perspectiva agora era encaminhar a nova trajetória a partir da capital do estado, Boa vista. Para isso, pelo menos uma coisa deveriam fazer. Chegar até lá. E ela e as crianças chegaram, mas com o trajeto inteiro feito a pé! Uma caminhada de mais de 200 quilômetros, longa e difícil. 

Após um período em situação de rua na capital roraimense – situação muito comum a vários dos venezuelanos refugiados -, conseguiu vaga no abrigo onde o 
Refúgio 343 mantém operações. Desde janeiro, ela e seu pequeno núcleo familiar vêm sendo amparados. 

Mês que vem é o aniversário de Nohelys e seu único desejo é dar um recomeço para si e para os filhos.

DICA DA SEMANA

O espetáculo da corrupção: como um sistema corrupto e o modo de combatê-lo estão destruindo o país

Livro - Walfrido Warde

Um dos melhores livros não ficcionais que li na quarentena. Walfrido Warde consegue desenvolver muito bem as razões pelas quais operações como a Lava Jato, além de conservarem críticas quanto à subestimação de direitos fundamentais individuais, destroem postos de trabalho e perspectivas de crescimento do setor produtivo nacional. Abrindo-se, portanto, ao internacional. Saiba que o autor possui uma visão pragmática do fenômeno, então não espere encontrar alguma crítica quanto a destituição do sistema econômico em vigência. Contudo, oferece aportes análitos essenciais para observar esse que é o espetáculo da corrupção e seus efeitos mais diretos para a economia do país.

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