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Photo by lucia on Unsplash

Que semana (leia-se, vida) difícil para nós mulheres

Os números das violências contras as mulheres (sejam elas quais forem: física, psicológica, moral, patrimonial etc.) são muito assustadores, escancaram a cultura na qual estamos inseridas e são reflexo da sociedade patriarcal na qual vivemos.

E durante esta semana algumas situações bastante delicadas aconteceram nas redes sociais e demonstraram que a manutenção desta cultura persiste. Vivemos em bolhas algorítmicas, recebendo conteúdo segmentado e selecionado a partir das nossas interações prévias, especialmente em redes sociais, e não percebemos que fora da nossa bolha o buraco é mais embaixo.


Um influenciador digital norte americano virou polêmica no início desta semana por compartilhar conteúdo absolutamente misógino, objetificar mulheres, vender um estilo de vida considerado ideal para o padrão de masculinidade tóxica, fazer piada com acusações sérias de agressões que teria cometido e construir uma imagem contra a qual lutamos tão intensamente (aquelxs que procuram a construção de uma sociedade melhor, ao menos).


E um dos grandes problemas disso tudo é perceber que há mais de 31 milhões de pessoas seguindo um indivíduo que reproduz, propaga e glamouriza um estilo de vida fundado na subjugação feminina; que posta fotos nas quais as mulheres são cenário, estão ali apenas para “embelezar e servir”.


Quando fiquei sabendo da existência deste “influenciador” falei sobre a bolha algorítmica e sobre como ainda estamos longe da sociedade ideal no meu Instagram. Para minha surpresa as mensagens que mais recebi foram questionando as mulheres que estavam nas imagens.


E resolvi escrever esta coluna (sobre um tema tão espinhoso) para, a partir da minha opinião sobre o tema, falar um pouquinho de por qual motivo é muito complicado qualquer tipo de julgamento em relação às mulheres que aparecem naquele Instagram e reforçar que: precisamos problematizar e debater as atitudes, postagens e posicionamentos daquele homem e não subverter a discussão para a questão das mulheres, sob pena de estarmos tirando o foco do problema maior (como de hábito fazemos dentro desta cultura misógina, não é mesmo?).


Quando falamos de escolha e vontade precisamos entender que estas “opções” não podem estar sombreadas por vícios. O que quero dizer com isso? Como posso falar que uma mulher escolhe ser objetificada e opta por isso de maneira consciente se esta mesma mulher está inserida numa sociedade na qual a naturalização da objetificação é algo enraizado?


Façamos um exercício de imaginação: uma menina que cresce assistindo na TV aberta a banheira do Gugu, a tiazinha e a feiticeira em programas vespertinos, dançarinas seminuas que fazem parte dos cenários de programas apresentados (em sua arrasadora maioria) por homens etc., se não forem ensinadas a problematizar este tipo de situação irão crescer naturalizando a objetificação. E nós somos essas meninas! Nós crescemos assistindo este tipo de conteúdo. Nós crescemos vendo corpos femininos apresentados como disponíveis durante o domingo em família.


Por isto que falar em escolha consciente é muito raso, já que há uma construção social e histórica imbricada nesta história.


Ao mesmo tempo, não podemos tratar aquelas mulheres como vítimas, ou como pessoas não conscientes e incapazes, sob o risco de reproduzirmos a cultura e tentarmos “salvar as pobres mulheres indefesas” que não possuem capacidade de cuidar de si.


Como falei antes, o tema é delicado e demanda uma análise muito mais aprofundada.


Por isto que repito: o ponto central da questão é (e precisa ser) as atitudes deste influenciador e a quantidade de gente (inclusive alguns famosos brasileiros e alguns amigos íntimos nossos) que corrobora, legitima e aplaude um indivíduo que está só estimulando o reforçamento da misoginia, da cultura e, consequentemente, a manutenção (e aumento) dos números de violências.

POEUSIA

Vou compartilhar aqui um texto que coloquei no Instagram,
que gosto muito e que acho que representa muito todas nós mulheres, que
precisamos nos fazer luta a cada dia:

Por todos os lados tenho me feito poesia.
Não crônica, não romance, não conto.
Poesia.
Poesia que transborda,
que contém (ou entorna) um mundo.
Meu mundo verteu em versos faz um tempo.
E a cada etapa (vencida, ou vivida) uma estrofe nova é
formada em mim.
Comecei com o verso dos ombros,
Emprestado de Ledusha:
“Na alma a agudeza como pede o sangue não como manda o
figurino”.
E sigo construindo minha singularidade nas rimas.
Dói, apanho, caio, choro, seguro a respiração, levanto e
escrevo.
Escrevo em papel e no corpo.
Marcas escolhidas, pensadas e assumidas
que fazem parte de ressignificação e retomada.
A dor alivia, olho para cima, seco as lágrimas, respiro
fundo, retomo a caminhada e ainda escrevo.
A alma continua aguda.
Algo de sangue.
Num figurino refeito a cada ato.

DICA DA SEMANA

Eu me amo mais – Giulia B

Vocês já sabem que eu sou muito musical, não é mesmo? Não consigo imaginar a vida sem música e esta da Giulia B tem uma batida muito gostosa e uma letra importante. Precisamos aprender a nos amar em primeiro lugar, sempre.

Ah, uma coisa que vocês ainda não sabem é que sou muito olfativa também. Minhas melhores lembranças estão sempre atreladas a cheiros que me marcam. Por isto, vai uma segunda dica (bem íntima, não usual e doida kkkkk): sabonete da Phebo de limão siciliano. Um dos melhores cheiros da vida, daqueles que gruda e faz o corpo parecer casa.

 
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