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Photo by Tess on Unsplash

Quando a fome do outro deixou de doer em nós?

Ontem, a caminho da editora, parei numa sinaleira aqui perto. Um homem, um menino, de aparentemente uns 6 anos, e dois cachorrinhos que os acompanhavam estavam vendendo amendoim doce.

Sou daquelas pessoas que só carrega cartão, mas fui revirar a bolsa para tentar achar dinheiro, já que amo amendoim doce e estamos vivendo um período financeiramente muito delicado no meio dessa pandemia.

Quando olhei para eles (sem ter achado nada de dinheiro) percebi que um homem que estava numa caminhonete de luxo logo na minha frente desceu do carro e foi pegar algo na carroceria. O homem que estava vendendo os amendoins se animou (confesso que também me animei) e olhou para ele esperançoso.

O homem da caminhonete pegou uma caixa de papelão e jogou ração no chão para os cachorros. Devolveu a caixa à carroceria. Entrou no carro. Não olhou para a criança. Não olhou para o vendedor.

O vendedor respirou fundo e seguiu oferecendo o amendoim. O menino se ajoelhou ao lado dos cachorros e comeu da ração junto deles.

Naquele momento um pedaço meu morreu.

Um pedaço da minha fé no ser humano morreu.

E aqui é importante deixar estabelecido que não vejo problema algum em alimentar animais. Sou doida por cachorrinhos, gatos, jabutis, cabras e animais de maneira geral.

O problema que vejo é a naturalização da fome alheia. O problema que vejo é alimentar os animais e ignorar o ser humano que estava ali (nitidamente) com fome. O problema que vejo é a ausência total de empatia.

Quando vejo situações como esta sinto meus privilégios sendo esfregados com força na minha cara. E esse esfrega dói. E tem que doer mesmo!

É importante que a gente se implique. É indispensável que a gente sinta. É essencial que a gente se veja como parte do problema. É necessário que a gente não se conforme nem naturalize a fome alheia.

E achar razoável que uma criança se ajoelhe para dividir ração com os cachorros é perder a humanidade.

Sou privilegiada, nunca passei fome na minha vida. Minha mãe passou. Teve uma infância e adolescência de muita privação e me relatou, algumas vezes, a dor (física) da fome. Me fez entender meus privilégios. Me ensinou a agradecer todos os dias por todas as oportunidades que tenho. Me ensinou a enxergar o outro enquanto ser humano digno de respeito, compaixão e cuidados. E, principalmente, me ensinou a me reconhecer como parte do problema.

Nós, enquanto privilegiados e fazendo parte dessa sociedade que naturaliza a fome e vende uma ideia bem falaciosa de meritocracia, somos parte do problema.

Mas podemos debater, problematizar e tentar fazer parte da solução. É isto que segura a minha fé num futuro melhor.

Menstruando sem tabus

Você mulher já pensou no privilégio que é poder utilizar absorventes?

Isso mesmo que você leu! Absorventes!

Uma pesquisa online da Sempre Livre relatou que 22% das meninas de 12 a 14 anos entrevistadas não tinham acesso a produtos confiáveis, pois não tinham dinheiro para tanto. 

E isto traz reflexos para o rendimento escolar e social destas meninas, sendo que algumas até deixam de frequentar a escola durante o período menstrual.

Olha aí. Mais uma vez os privilégios sendo esfregados na cara, não é mesmo?

A Lais Santos, ao pesquisar e estudar a pobreza menstrual, criou uma campanha de arrecadação e distribuição de produtos confiáveis de higiene e absorventes para estas mulheres e adolescentes (especialmente) vulneráveis.

Foi do 
@menstruando.semtabus que tirei as informações para este texto e lá todes conseguem ajudar nesta campanha tão necessária.

Precisamos seguir juntas! Só assim crescemos. 

 
DICA DA SEMANA

Cartão de visita – Criolo

Sobre privilégios e falta de humanidade.
Criolo foi cirúrgico nesta música.

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