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Reprodução. Sávio Leite.

Eu vou andar do lado de fora da calçada!

Ontem a tarde estava caindo o céu aqui em Florianópolis, uma chuva torrencial que só foi dar trégua quase a noite.

Eu estava andando pelo centro da cidade, perto aqui da Emais Editora (na Hercílio Luz, para que os que são da terrinha consigam se localizar), quando duas mulheres perguntaram para um rapaz que estava perto de mim para qual direção era o mercado público. Ele apontou a direção e as mulheres, que visivelmente estavam com bastante pressa, saíram correndo para o mercado público de Floripa.

O que me chamou atenção nessa situação toda foi o alerta que veio em seguida. O rapaz gritou bem alto e no imperativo: Não corram! Vocês irão cair.

Aquele aviso do rapaz me levou a mais uma reflexão sobre o ser mulher e sobre todo o meu processo diário de (des/re)construção que quero compartilhar aqui com vocês.

As questões que envolvem o ser mulher nesta cultura patriarcal por vezes são tão sutis, que sequer prestamos atenção no dia-a-dia. Logo depois que o rapaz gritou pensei: duvido muito que se fossem homens o aviso viria da mesma forma, se viesse. E, ao mesmo tempo, comecei a pensar em diversas situações que reforçam a ideia de que nós mulheres somos frágeis.

Por exemplo, sempre detestei estar andando na rua com um homem e ele trocar de lugar comigo para que eu ficasse do lado de dentro da calçada. Aí vocês podem me falar: “Fer, será que você não está exagerando? É apenas cavalheirismo!”

Explico: o ato de colocar alguém para o lado de dentro da calçada é altamente simbólico. Fazemos isso com crianças, por exemplo, que não têm ainda o discernimento e atenção suficientes para ter os cuidados necessários ao andar perto dos carros. Reproduzir este tipo de “cuidado” com mulheres é apenas (mesmo que inconscientemente) reproduzir a ideia de que mulheres são incapazes.

Reconheço, é claro, que estas problematizações diárias e a desconstrução do sexismo (estou lendo Bell Hooks e ela usa muito esta ideia de sexismo) no qual vivemos é paulatina, mas não podemos fingir que estas situações não simbolismos para manutenção cultural.

Portanto, corram mulheres, sempre com cuidado para não cair (mas se caírem, levantem-se e sigam em frente). Andem do lado que quiserem na calçada. Problematizem machismos revestidos de cavalheirismo (que temos de monte por aí). E, acima de tudo, não aceitem imperativos.

Seguimos lutando para sermos donas de nós mesmas, por nossa liberdade e pela igualdade.

DICA DA SEMANA

AMOR DE QUE?

Você até pode não gostar do estilo de música produzido pela Pabllo Vittar, mas precisa reconhecer a representatividade que é termos uma drag queen que lançou um videoclipe há dois dias e já possui mais de 4,6 milhões de visualizações.

Pabllo tem ocupado, merecidamente, um espaço de destaque no cenário musical nacional há algum tempo e a música Amor de que? só reforça isto.

Confesso que estou ouvindo a música há 6 dias e ainda não enjoei!

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