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Estupro não é meme

Esta semana acompanhei a polêmica relacionada à postagem realizada por um cursinho para concursos no Instagram.

Tenho fugido um pouco desses debates e assuntos, pois ainda me sinto bastante fragilizada e com a imparcialidade absolutamente comprometida.

Mas, neste caso em específico, não cabe imparcialidade e o distanciamento foi impossível, pois bateu de frente com parte de mim.

O tal cursinho postou um vídeo no qual uma jovem (que tinha a legenda “concurseira”) está sendo carregada por vários homens (que tinham a legenda de “examinadores do CESPE”) fazendo clara referência a estupro coletivo e ao final aparecem aqueles homens que carregam o caixão, sabem?

Gente, honestamente não sei em que momento alguém pensou que estupro coletivo pudesse virar meme, em que momento acharam que seria legalzão e engraçadão fazer uma postagem com aquele conteúdo na página de um cursinho que tem milhares de seguidores! Será que ninguém, nem uma pessoa, uma só, olhou para aquilo e pensou: talvez melhor não?

Lutamos pelo fim da cultura do estupro e uma postagem deste nível e a criação de um “meme” neste nível é um total desserviço e uma grande afronta a todas as mulheres (às vítimas de violência sexual especialmente).

Há um outro detalhe, os homens carregando a jovem eram negros, reforçando o estereótipo do homem negro violento.

Os caras conseguiram juntar machismo, apologia à violência, reforço à cultura do estupro e racismo tudo numa postagem só.

Tive a infelicidade de assistir ao vídeo e aquilo destruiu meu dia. Foi colocar o dedo na ferida e apertar até sangrar.

Segundo notícias a Polícia Civil do Distrito Federal abriu inquérito para investigar a publicação.

O cursinho não se retratou, bloqueou as pessoas que questionaram a postagem e excluiu o “conteúdo” do feed.

Aguardamos, no mínimo, retratação. Aguardamos, no mínimo, um pedido de desculpas. E aguardamos, ansiosamente, o dia em que as pessoas irão entender que são atitudes como essa que reforçam a naturalização de violências sexuais contra mulheres.

Descomplicada e totalmente imperfeita

Tive várias ideias para a coluna desta semana, mas estava bastante insatisfeita com todas elas. Minha semana foi caótica e extremamente difícil… em tempos de pandemia ser empreendedora é matar um leão por dia e meus dias precisavam ter mais umas 5 horas para que eu conseguisse dar conta de tudo o que preciso fazer.

Passei a semana me cobrando, incomodada com meu rendimento e insatisfeita comigo mesma.

No meio de toda essa confusão estava rolando o feed do Instagram e me deparei com uma postagem da Andressa dona do @aadvocaciacriminal (sugiro fortemente que vocês a sigam, pois é uma advogada brilhante e que luta muito pelos direitos das mulheres) falando justamente sobre estar cansada e sobre autocobrança relacionada à ideia ilusória de perfeição.

E ela me fez parar e pensar, de fato, sobre o assunto.

Nós, enquanto mulheres, enfrentamos duplas e triplas jornadas diariamente (durante o isolamento isso tudo se intensifica); enfrentamos deslegitimações constantes sobre a nossa capacidade; enfrentamos padrões sociais de cobrança que são muito mais rígidos conosco (temos que fazer tudo melhor, mais rápido, de salto alto e batom vermelho) e é natural que estejamos cansadas.

E tudo bem estarmos cansadas. Tudo bem pararmos para respirar um pouco. Tudo bem nos darmos um tempo de descanso, de ócio, de calmaria. Tudo bem reduzirmos o ritmo as vezes e ficarmos aproveitando a leitura daquele livro que queríamos devorar faz tempo. Tudo bem desacelerarmos nos momentos em que precisamos de descanso.

Somos fortes, a maior parte do tempo. Somos furacões, a maior parte do tempo. Somos rápidas, a maior parte do tempo. Mas também somos vulneráveis, também somos calmaria, também precisamos ser lentas.

Não podemos nos cobrar perfeição, já que ela sequer existe! Raimundos estavam bem equivocados ao falar que complicada e perfeitinha ela apareceu. 

Apareçamos descomplicadas, com leveza e totalmente imperfeitas, pois é assim que todo ser humano é (ou deveria ser)! 

DICA DA SEMANA

Toda Palavra

Livro - Viviane Mosé

Poesia acalenta a alma. 

Viviane Mosé traz poemas fortes e necessários.

Esta semana o poema dela que tem me acompanhado é o seguinte:


Sangria

Acordei com a alma na mão.

Uma sangria escorria entre dedos.

Com o polegar fiz pressão contra o corte.

Que engoliu meu dia.

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