fbpx

Conteúdo jurídico semanal
para você se manter informado!

EMais

colunistas

O luto do término e seus reflexos no Direito das Famílias

Ao longo do processo de personalização das relações familiares a então verdade unicamente jurídica passou a ser insuficiente. A Emenda Constitucional n. 66, trouxe a verdade social como tônica processual, abrindo-se mão de uma burocratização que afastava a humanidade tão necessária quando olhávamos o Direito das Famílias.

Neste sentindo, o modo de pensar mudou (tem quem não enxergue ainda – mas mudou!), trazendo a interdisciplinaridade ao Direito das Famílias, surgindo então a necessidade de compreender aspectos psicológicos das relações familiares para além dos seus efeitos unicamente jurídicos.

Assim, ao analisarmos hoje uma demanda familiar, necessário se faz, um olhar sobre os efeitos psicológicos, sobre a vida do então casal e dos seus filhos. Hoje vamos conversar sobre os efeitos no casal.

Como vivenciar os sentimentos da melhor forma após a separação? Existe luto pós término?

Bom primeiro, precisamos compreender que o luto é um processo emocional que o ser humano vivencia quando passa por uma perda significativa. Habitualmente mencionamos luto para falar sobre a morte. No entanto, há outras perdas significativas na vida, onde também passamos por um processo de luto.

Podemos dizer, que depois da morte de alguém próximo, o evento com maior nível de estresse na vida de uma pessoa é a separação de um cônjuge. A perda da pessoa amada, produz, o que dentro da psicologia chamamos de dor psíquica (em um contraponto a dor física), que nada mais é que uma “fratura” do vínculo amoroso com o outro – nesta fase temos o luto.

E quais são as fases do luto? A partir da sistematização feita pela psiquiatra Elisabeth Kluber Ross podemos dizer que temos a negação, a raiva, negociação ou barganha, depressão e por fim a aceitação.

A negação é o choque inicial, decorrente do impacto da informação. A dor e o sofrimento estão latentes neste momento. A raiva é o sentimento de frustração, impotência e ou atribuição de culpa ou responsabilidade de terceiros frente a dor sentida.

Já a negociação ou barganha nasce quando se passa a cogitar a perda, mas estabelecendo um desejo de que alguma transação com a perda sofrida seja viável.

A depressão por sua vez, surge quando se toma consciência da perda, de fato, logo toma também a ausência do outro que se foi. Onde pode surgir a tristeza profunda, isolamento, dentre outros sentimentos.

Por fim, a aceitação ou também denominada superação, vem quando a compreensão da perda vem com um acontecimento inevitável, um fato que faz parte da vida, escreveu a história e agora é possível seguir em frente.

Importante dizer que não há uma cartilha que determine quanto tempo se leva para elaboração e manejo do luto relacional, cada indivíduo age e sente de modos distintos, mas fato é que enquanto estiver na dor, difícil uma tomada de decisão assertiva.

Dentro do Direito das Famílias esse olhar para o luto é de extrema importância, uma vez que muitas vezes as dores provocadas pelo momento do luto ou pelo luto não vivido desembocam no Judiciário através de processos judiciais.

Entrar em contato com a dor, elaborar a perda da separação, faz parte do processo de cura. E a cura vem, quando a pessoa pode exercitar uma visão ampla do relacionamento e dizer “Você fica com 50% do que deu certo e errado e eu fico com 50% do que deu certo e errado nosso relacionamento, enxergando assim, que nesta história houveram lições positivas e negativas, e todos foram essenciais para crescer.

Direito e psicologia caminham juntos na construção do Direito das Famílias e esse é o caminho.

Com carinho Alliny.

Palavras são janelas ou são paredes

Não tenho dúvida no poder das palavras. O poder de construir e descontruir relações. Uma comunicação afetuosa é capaz de construir ponte relacionais. Já citei aqui a obra Comunicação não Violenta como sugestão de leitura. E hoje deixo o poema de Ruth Bebermeyer que traduz a comunicação de modo delicado e assertivo. E a comunicação também faz parte da elaboração do fim.

 

“Sinto-me tão condenada por suas palavras,

Tão julgada e dispensada.

Antes de ir , preciso saber: Foi isso que você quis dizer?

Antes que eu me levante em minha defesa,

Antes que eu fale com mágoa ou medo,

Antes que eu erga aquela muralha de palavras,

Responda: eu realmente ouvi isso?

Palavras são janelas ou são paredes.

Elas nos condenam ou nos libertam.

Quando eu falar e quando eu ouvir ,

Que a luz do amor brilhe através de mim.

Há coisas que preciso dizer,

Coisas que significam muito para mim.

Se minhas palavras não forem claras,

Você me ajudará a me libertar?

Se pareci menosprezar você,

Se você sentiu que não me importei,

Tente escutar por entre as minhas palavras

Os sentimentos que compartilhamos.”

DICA DA SEMANA

Quarentena Amorosa

Livro - Angela Brandão

Não esse livro não foi escrito agora. Angela Brandão lançou essa obra em 2015, tratando de forma leve o necessário luto pós separação, para viver, superar e recomeçar. De fácil leitura a obra traz 12 princípios, recheado de boas histórias e pontuado por trechos de canções e poemas inspiradores.

COMPARTILHE COM ALGUÉM
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram
Share on email
Email
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
COMENTÁRIOS

Carrinho

0

Nenhum produto no carrinho.

Tecle Enter para pesquisar e Esc para fechar