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Famílias, sexo e prazer

“Amor é cristão, sexo é pagão’!

O psicólogo Joan Garriga costuma dizer que um relacionamento se alicerça em dois pilares muito simples: de um lado, a sexualidade, que move incansável as gigantescas rodas da vida e impulsiona os amantes; e, de outro lado, a estrita igualdade de categoria entre seus membros.

Iniciando a análise destes dois aspectos, se fizermos uma pequena retrospectiva às origens da instituição do matrimônio, encontraremos este formato relacional em diversas culturas. Mas a relação que conhecemos na civilização ocidental foi delineada sob fortíssima influência da Igreja Católica, razão pela qual o casamento monogâmico tornou-se uma forma de controle do desejo.

Eis que homem e mulher possuíam o entendimento do sexo como instrumento que garante o crescimento da família através da prole.

E dentro desta construção social, que cresceu alicerçada em dogmas religiosos de pecados da prevaricação, o Direito que abarca às famílias, trouxe consigo questões a respeito da sexualidade, passando a enxergar o sexo como um dever conjugal.

Logo, como narra Regina Navarro Lins, neste cenário as mulheres em especial, não poderiam se esquivar do dever conjugal e deveriam, portanto, se dobrar às exigências do marido.

E digo as mulheres porque em uma sociedade construída através do patriarcado, por certo, à mulher não foi dado o direito de desejar ou não uma relação sexual.

Inclusive este tópico já foi tema de discussão acerca do não cumprimento do dever conjugal como fato gerador, a justa causa para o fim.

Veja-se que no artigo 1566 do Código Civil de 2002, no seu inciso II, coloca os cônjuges no dever de “vida em comum, no domicílio conjugal”. Este dever previsto, assim como no Código Civil de 1916, possui dois aspectos: o primeiro refere-se ao dever de moradia sob um mesmo teto; o segundo está ligado ao dever de manter práticas sexuais com o cônjuge.

Muitos doutrinadores defendem que poder-se-ia considerar como infração do dever de coabitação a recusa injustificada à satisfação do débito conjugal, constituir injúria grave, que implicaria em ofensa à honra, à respeitabilidade, à dignidade do outro cônjuge.

Mas será que as questões de sexualidade como dever conjugal devem passar pelo crivo judicial ou existem inúmeras questões a serem observadas antes?

Se pensarmos que a sociedade avançou e o modo de pensar e agir transformou-se ao longo do tempo, quebrando paradigmas e modificando aquilo que é predeterminado, absorvendo novos
valores e repensando o ser humano, enquanto ser social, necessário se faz também, ampliar os horizontes da sexualidade, através de discussões acerca do corpo, do gozo, da saúde e da educação aberta para que se possa compreendê-lo como algo desassociado, inclusive do amor.

Porque afinal, se o sexo é um dever onde reside o prazer?

E partindo deste enredo histórico o prazer feminino reside em um tabu muito mais profundo.

Apesar de todos avanços que nós mulheres conseguimos ao longo do tempo o fato é que esse assunto ainda é pouco elaborado. Meninos e meninas em pleno 2020 ainda são educados de formas distintas. A eles o prazer, a elas o sonho de ter filhos e um marido.

Precisamos primeiro romper esta barreira educacional para chegarmos ao segundo aspecto do psicólogo Joan Garriga: a igualdade do casal.

Isto porque, a vivência da sexualidade pelos casais atravessa diferentes fases ao longo do relacionamento e muitas vezes as visões distintas de homens e mulheres em relação ao seu próprio prazer coadunam para dificuldades relacionais.

Para além destas questões é importante ainda destacar que a paixão avassaladora que caminha com o desejo latente, a descoberta do um com o outro, a cada degrau da intimidade, são fases que todo casal deverá perpassar. Alguns casais ao longo do tempo renunciam ao encontro sexual, inúmeros são os fatores que os afastam, especialmente quando falamos da travessia de fases dentro do ciclo vital como, por exemplo nascimento de um filho.

Assim para além das questões jurídicas, é preciso compreender a complexidade do prazer, sentir o que não é dito. Muitos casais que alegam que não amam mais seus parceiros, ou que traem com relações fora do casamento, ou ainda que se sentem infelizes na relação, na realidade trazem narrativas de que não havia mais relação sexual, não havia prazer. E aí o casamento acaba e vem o divórcio.

E eu me pergunto: Em que momento este casal deixou de se desejar? Em que momento o sexo se tornou o vilão?

Então antes de todos os aspectos é preciso sabe que o prazer faz parte da nossa vida, estejamos sozinhos ou acompanhados. E partir do autoconhecimento é possível descobrir primeiro o prazer próprio, para depois o prazer com o outro.

Amor e sexo

Eu sou apaixonada pela letra da música “Amor e Sexo” da Rita Lee. Isto porque ela tira o manto do sexo somente por amor e traz luz ao prazer. 

Já conhece? Segue a letra aqui mas escuta depois!

Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Amor é para sempre

 


Sexo também
Sexo é do bom
Amor é do bem
Amor sem sexo
É amizade
Sexo sem amor
É vontade
Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes
Amor depois
Sexo vem dos outros
E vai embora
Amor vem de nós
E demora
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Amor é isso
Sexo é aquilo
E coisa e tal
E tal e coisa
Ai o amor
Hmm o sexo, ahh

 
DICA DA SEMANA

Novas Formas de Amar - Regina Navarro Lins

Livro

E a dica da semana não poderia ser outra senão este livro maravilhoso que aborda a sexualidade de modo consistente e livre. Eu até acho que este livro já passou por aqui! Mas vale a pena relembrar! Que é ótimo!! Novas Formas de Amar da Regina Navarro Lins! Aborda como poucos a diferenciação de romantismo, amor, prazer! 

Queridos(as), uma excelente semana!

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