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Quanto vale a criminalização do funk e da pobreza? Quanto vale a guerra às drogas? Quanto vale o “silêncio urbano”? Aparentemente, 9 jovens vidas

Imaginem comigo. Domingão, dia mundial do lazer e descanso (para muitos brasileiros, o único da semana), você, jovem morador da periferia, sem grana para gastar, mas a fim de dar um rolê, combina com os seus amigos de ir curtir o fluxo – baile funk. Mas não qualquer bailinho. O Baile da Dz7 (17), em Paraisópolis, São Paulo, com nada mais nada menos que 10 anos de tradição, que ocorre semanalmente, movimentando cerca de 5 mil pessoas por festa. Definição de rolê democrático. Vai quem quer, não paga para entrar, só paga o que consome. Um rolê que eu super iria, porque não curto gastar muito, não gosto de ostentação, e amo funk. Você chega lá com os seus amigos para curtir, dançar, afinal funk, ritmo popular brasileiro em constante ascensão há anos, toca na rádio, toca na tv, na novela (das 10 músicas mais tocadas no Top Brasil do Spotify, 7 são funk – em todas as suas variações), e, de repente… barulho de tiro, explosão, correria, gritaria, confusão, gente caindo, gente sangrando, gente apanhando, gente morrendo.

“Chegaram atirando em todo mundo. A gente estava no baile e primeiro veio a bomba. Começaram a cair as pessoas, passando mal, e a desmaiar, sendo pisoteadas. Ficamos encurralados. Não tinha para aonde correr, para aonde ir. Muita gente caindo já morta, a polícia atirou. Muitas pessoas tentavam salvar a própria vida. Vi muito sangue e escutei bastante barulho de tiro”, disse o jovem.”

Explicação oficial: em entrevista, um Tenente Coronel da PM disse que o objetivo da PM era impedir a instalação do baile funk, mas não foi possível em razão da quantidade de pessoas, então a polícia optou em fazer a “segurança” no entorno. “A Operação Pancadão tem sido periodicamente realizada em toda a capital “para garantir o direito de ir e vir do cidadão e impedir a perturbação do sossego, fiscalizando a emissão de ruídos proveniente de veículos”, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública.” Governador de São Paulo em coletiva oficial: “A política de segurança pública do estado de São Paulo não vai mudar”. E as políticas públicas de lazer e cultura, ficam como? Para quem não tem condições de pagar, continua inexistente?

Independente do resultado oficial da apuração desta tragédia, ela aconteceu. Se estes 9 jovens viessem de outra realidade, estariam se divertindo em locais diferentes e não correndo risco de vida. Mas, importante dizer que existem grandes chances da música ser a mesma, tá? Em qualquer festa badalada, elitizada toca funk. Até no exterior o funk está estourado. E ainda, arrisco dizer que todas as baladas conceituadas estão sujeitas ao consumo de drogas, aos problemas com os vizinhos, à reclamação de perturbação ao silêncio. A diferença com o baile funk da periferia? Cor da pele e poder aquisitivo. Existem locais que a força repressiva do Estado não entra atirando, agredindo, mas sim conversando, com educação, respeito, dentro de todos os limites da legalidade, como sempre deveria ser.

*Trechos entre aspas retirados da matéria do G1: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/12/01/foi-uma-emboscada-da-policia-diz-mae-de-adolescente-ferida-em-paraisopolis-pm-diz-que-suspeitos-atiraram.ghtml

Reprodução. Tuca Vieira.
DICA DA SEMANA

Kondzilla

Parecer da Comissão de Defesa do Estado Democrático de Direito do RJ: “Contra a criminalização da arte da periferia”, disponível no ConJur.

KondZilla.com: site da produtora KondZilla, com todos os videoclipes, músicas, matérias em vídeo, escritas, sobre o funk, seus ritmos (150 bpm, brega funk, funk consciente, etc), e seus artistas de todos os cantos do país. Ótimo lugar para se informar sobre essa parte importante da nossa cultura e de quebra atualizar a sua playlist 🙂

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